Começar a agir: não espere a regra ser perfeita no ESG

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Palavra da Curadora

O ano de 2026 começou sem espaço para amadorismo.

O clima ameno com o ESG acabou e começa a ganhar espaço a ideia de um campo de batalha real: de um lado, a regulação avançando com força na China e no Brasil; do outro, empresas tentando recuar em compromissos ambientais sob a justificativa de custos.

A grande verdade é que o mercado se dividiu entre quem está profissionalizando a gestão de impacto e quem ainda acha que ESG é um tema opcional a ser tratado.

Para este semestre é importante ter clareza do seguinte:

não espere a regra ser perfeita para começar a agir, ou o custo da omissão poderá ser cobrado pelos stakeholders, sejam investidores, clientes e/ou órgãos reguladores.

O ambiente atual exige que as empresas demonstrem diligência real, sob o risco de enfrentarem sanções formais e o crescente rigor dos mecanismos de controle e conformidade.

China lança padrão oficial de reporte climático

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A China publicou suas diretrizes oficiais para que empresas listadas reportem riscos e impactos climáticos. O movimento alinha a segunda maior economia do mundo aos padrões globais de transparência.

Como grande parte da cadeia de suprimentos brasileira depende da China, o impacto é imediato para exportadores de commodities e manufaturados que, agora, terão de falar a mesma “língua técnica” dos chineses.

Em outras palavras: se o seu maior cliente exige dados climáticos rigorosos, o ESG deixa de ser uma escolha e vira barreira (ou passaporte) comercial.

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O recuo no pacto antidesmatamento da Amazônia

Grandes empresas de grãos estão abandonando acordos históricos de moratória da soja e combate ao desmatamento na Amazônia, alegando perda de competitividade.

O movimento gerou reação imediata de fundos de investimento internacionais, que veem no recuo um aumento drástico do risco reputacional e operacional para o agronegócio brasileiro, em um momento de endurecimento das leis europeias (EUDR).

O abandono de compromissos setoriais fragiliza a imagem do Brasil no exterior e pode fechar mercados premium para quem não conseguir provar a origem legal e sustentável de seus produtos.

 

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A reflexão útil aqui é questionar a definição de competitividade usada por essas lideranças.

Se a competitividade ganha hoje (custo menor de expansão), resultando em um custo de capital mais alto amanhã (em razão da fuga de fundos internacionais) ou na exclusão de mercados europeus via EUDR, houve ganho real ou apenas uma transferência de prejuízo para o futuro próximo?

Insight para você, leitor: a competitividade em 2026 não é mais medida apenas por produtividade por hectare, mas pela “aceitabilidade” do produto em mercados de alto valor.

 

Fonte: https://capitalreset.uol.com.br/agronegocio/empresas-abandonam-acordo-antidesmatamento-na-amazonia/

 

Aqui, vale também a reflexão acerca de dois pontos centrais:

1. O Risco da Descoordenação Setorial

O movimento de saída de grandes players mostra uma rachadura na governança setorial.

Quando o “autopoliciamento” de uma indústria falha, o regulador externo (governos estrangeiros ou a CVM/SEC) tende a intervir com regras muito mais rígidas e menos adaptadas à realidade do produtor.

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O abandono de acordos voluntários acelera a “mão pesada” da regulação. Ao tentar fugir de um compromisso privado, as empresas podem estar atraindo sanções comerciais internacionais que punirão todo o setor (incluindo quem preserva).

Insight para você, leitor: governança não serve apenas para fiscalizar o vizinho; serve para proteger a licença coletiva de operar de uma indústria inteira. Já pensou dessa forma?

2. ESG como “Proxy” de Qualidade de Gestão

Para o investidor internacional, o abandono desses compromissos é interpretado como um sinal de que a empresa não consegue gerir complexidade.

Fundos de investimento não reagem apenas por “ética”, mas por previsibilidade. Uma empresa que rompe um acordo histórico sinaliza que sua estratégia é volátil e que ela é vulnerável a pressões políticas momentâneas.

Para o investidor internacional, o abandono desses compromissos é interpretado como um sinal de que a empresa não consegue gerir complexidade.

Fundos de investimento não reagem apenas por “ética”, mas por previsibilidade. Uma empresa que rompe um acordo histórico sinaliza que sua estratégia é volátil e que ela é vulnerável a pressões políticas momentâneas.

Insight para você, leitor:em momentos de crise, a consistência nos compromissos ESG funciona como um seguro de reputação. O recuo estratégico pode ser lido pelo mercado como uma confissão de incapacidade de inovar nos processos produtivos.

Entidades defendem obrigatoriedade de reportes do padrão IFRS de informações financeiras de sustentabilidade e clima no Brasil

Após críticas da Abrasca sobre a carga burocrática das novas normas de sustentabilidade, diversas entidades do mercado de capitais saíram em defesa da transparência obrigatória. O argumento é que o Brasil não pode se isolar do fluxo global de capital, que exige dados comparáveis e auditáveis. A disputa mostra que a governança ESG está no centro da briga pelo “custo Brasil”.

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O mercado está dizendo que transparência não é burocracia, é infraestrutura financeira. Empresas que resistirem ao reporte podem acabar pagando mais caro pelo crédito.

Esse tipo de relato deve ser parte da infraestrutura financeira, tal qual o balanço contábil ou o sistema de pagamentos.

Sem dados padronizados (IFRS S1 e S2), o investidor estrangeiro não consegue comparar uma empresa brasileira com uma australiana ou europeia. Onde não há comparação, o risco percebido sobe.

Insight para você, leitor:resistir ao reporte é o equivalente moderno a se recusar a ter uma auditoria externa nos anos de 1970. Pode economizar no curto prazo, mas te exclui do jogo das grandes ligas. O que você acha dessa forma de pensar?

Imagem: Pablo Cesário, presidente-executivo da Abrasca

Fonte: https://capitalreset.uol.com.br/empresas/companhias-abertas/em-resposta-a-abrasca-entidades-saem-em-defesa-de-reportes-de-sustentabilidade/

Este início de ano nos mostra que a transparência não é um imposto sobre o negócio, mas a própria via expressa por onde circula o investimento global.

Na Bridge3, acreditamos que a liderança que prospera em 2026 é aquela que entende que o dado ESG é o novo protocolo de confiança do mercado.

Esperamos que este conteúdo tenha agregado valor à sua estratégia e carreira. Que esta quinzena seja de decisões pautadas pela resiliência e visão de longo prazo.

Até a próxima edição!

-Equipe Bridge3