Finanças e sustentabilidade – uma aliança necessária e urgente

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Um dos grandes méritos das Normas IFRS S1 e S2, elaboradas pelo ISSB da IFRS Foundation, as quais já estão consolidadas no Brasil desde 2024 sob a forma das CBPS 1 e CBPS 2 e instituídas de forma obrigatória, primeiramente pela CVM 193/23 e depois por uma sequência de instituições com calendários próprios, é que colocou à prova, dentro das organizações, o grau de comunicação e entendimento entre as diversas áreas envolvidas no cumprimento dos requisitos presentes nas mesmas.

Letramento, governança e avaliação de materialidade financeira nas novas normas ESG

Além disso, trouxe um novo vocabulário e uma ampla necessidade de letramento nos diversos níveis da alta gestão, conselho de administração, estrutura de governança como um todo e os gestores responsáveis por coordenar todo o processo.

E mais, a implementação das normas tem sido motivo de uma grande preocupação dos gestores de todos os níveis.

Várias dúvidas surgem: como estimar financeiramente os riscos e oportunidades identificados, o quê realmente é material do ponto de vista financeiro e pode afetar o desempenho da empresa ao longo do tempo?

 

Quais os horizontes de tempo ideais para o atendimento às normas?

Quais os cenários mais adequados para o meu setor e como eles impactam a estratégia já desenhada, se esta estiver mesmo elaborada e, se foi feita, com qual base de materialidade foi construída?

Os temas materiais foram testados junto ao time de finanças?

Cultura organizacional, investidores e a integração das normas S1 e S2

Estas perguntas e muitas outras são todas pertinentes, mas precisam ser feitas em um alinhamento de entendimento interno.

Dessa forma, a compreensão de que os investidores esperam dados críveis, confiáveis e previsões calculadas em bases justificadas e comprovadas segue como principal direcionador das mudanças.

É para integrar na cultura da organização, na forma de controlar os processos, de medir, de atuar em equipes multiprofissionais.

Integrar as Normas IFRS S1 e S2 na organização não é obra de um homem/mulher só!

Nem tão pouco obra de uma única área. A controladoria sozinha não possui o conhecimento nem a habilidade necessária, a área de riscos igualmente carece de outras visões.

 

Sustentabilidade financeira

Como em um casamento, no qual um precisa compreender o outro e aceitar as diferenças, o financeiro necessita compreender as implicações que giram em torno da sustentabilidade e que alimentam a previsão de cenários futuros quanto a riscos e oportunidades climáticos, de natureza, de biodiversidade, de direitos humanos ao longo da cadeia de valor, de justiça climática, dentre outros.

E a sustentabilidade precisa entender sobre as diversas formas de refletir nas demonstrações financeiras, a partir de temas materiais testados, as implicações das diversas decisões estratégicas que objetivam mitigar riscos e adaptar a empresa, tornando-a resiliente ao longo do tempo.

E como tornar todos fluentes nesta nova linguagem, provocar as mudanças necessárias e ainda fazer este casamento dar certo e render frutos?

É necessário dar os primeiros passos e iniciar o quanto antes. Infelizmente, o ser humano tende a não tangibilizar o quê está, na visão da pessoa, muito distante de acontecer.

As empresas e já são muitas, mesmo as que ainda não estão obrigadas pela regulação têm verdadeiramente buscado se adaptar porque sabem que o negócio delas é, essencialmente, gerar valor ao longo do tempo.

Esperamos ver mais casamentos em 2026 entre as áreas de finanças e sustentabilidade e equipes multiprofissionais aprendendo e evoluindo nesta importante construção.