Riscos Globais – WEF Report 2024 – pontos de atenção para os formuladores de políticas e estratégias empresariais

O relatório de riscos globais 2024, recentemente lançado em Davos, reúne a opinião de uma ampla gama de stakeholders, desde acadêmicos, cientistas, setor privado, governo, organizações internacionais, sociedade civil, além do corpo diretivo do próprio World Economic Forum.

A perspectiva dos riscos apresenta um cenário de severidade para um horizonte de 2 anos e para o prazo de 10 anos, além de jogar luz aos riscos correntes que pressionam a probabilidade de que os riscos apontados no horizonte efetivamente aconteçam ou mesmo que tornem-se sistêmicos, se já não o são, como as mudanças climáticas, que não envolvem uma probailidade de ocorrer, mas são estruturantes e afetam diversos outros riscos.

A deterioração da perspectiva global, termo utilizado no relatório, com o acirramento dos conflitos geopolíticos, aumento da violência, descontentamentos sociais, recordes de altas temperaturas, incêndios florestais, secas, enchentes, muitos deles vivenciados no Brasil em 2023, trazem a perspectiva de aumento de choques globais, além de, na minha modesta opinião, atrasarem a agenda de transição para a economia verde.

Dada a materialidade de tais riscos, como gerir nos próximos anos a transição? É preciso considerar nas análises ao menos os seguintes elementos sistêmicos:

  1. Mudanças climáticas – considerar as trajetórias de aquecimento global e as consequências aos sistemas planetários.
  2. Bifurcação demográfica – mudanças no tamanho, crescimento e estrutura das populações no mundo.
  3. Aceleração tecnológica – caminhos de desenvolvimento para as fronteiras tecnológicas.
  4. Evolução na concentração e fontes de poder geopolítico.

Dois pontos no relatório chamam bastante a atenção: os eventos climáticos extremos estão rapidamente caminhando para o ponto de não-retorno (algo amplamente anunciado há anos pelo Prof. Johan Rockstrom); a verdade é outro ponto que traz em seu escopo a polarização social advinda de desinformação e má informação. Como teremos eleições em vários países do globo em 2024 há diversos riscos associados aos resultados de tais pleitos. Vejam a análise de Ian Bremmer, cientista político e fundador do Eurasia Group, por exemplo, quanto aos riscos globais e, dentre eles, as eleições dos EUA:

Global risk report: The biggest global risks of 2024 | DW News

A incerteza econômica continuará pesando sobre todos os mercados, sobretudo para os mercados emergentes, como o brasileiro. Neste cenário, os países mais vulneráveis ao clima ou a conflitos, tendem a precisar de muito mais infraestrutura de adaptação, que em caso de insucesso nos investimentos verdes, pode aumentar ainda mais os os impactos sociais e ambientais.

Este ponto traz o que mais gosto de destacar no relatório de riscos, que é a interconexão dos mesmos:

Os riscos econômicos, ambientais e tecnológicos se entrelaçam e exacerbam os desafios ao redor do trabalho e a mobilidade social.

A inteligência Artificial, com o avanço da IA generativa, irá ampliar a criação de atores com acesso a conhecimento super-humano, os quais podem utilizar tal capacidade tanto para o bem quanto para o mal.

Como estabelecer estratégias para se antecipar a estes riscos, mitigar seus efeitos e adaptar os negócios o quanto antes, de forma a aproveitar as oportunidaes e diminuir o efeitos dos riscos extremos? A propósito, muitos deles causados pelas externalidades dos próprios negócios e por nossas escolhas como consumidores e cidadãos.

Por exemplo, muitas vezes ficamos atônitos diante do desmatamento na Amazônia, entretanto, sabemos que grande parte ocorre para abastecer os diversos países com carne bovina, cujo consumo cresce desenfreadamente no mundo, decorrente do aumento populacional e o acesso ao consumo? O documentário recente “Você é o que você come” traz uma realidade crua a respeito das nossas escolhas como pessoas. Grande parte das mudanças pode começar por aí.

É preciso reconhecer os impactos de cada negócio no meio ambiente, nas pessoas, na economia, de forma a estabelecer planos e estratégias de mitigação e adaptação. Neste sentido, é necessário um esforço conjunto de todas as áreas da empresa, inclusive a financeira, o que vem em linha com as recentes padronizações publicadas pelo IFRS (ver meu artigo anterior sobre S1 e S2).

O esforço precisa ir além e envolver todos os stakeholders. Há mudanças que ultrapassam fronteiras e só irão acontecer se envolvermos, inclusive, grupos comercialmente concorrentes, o que já foi feito no passado com sucesso por diversos grupos, como a Unilever, por exemplo, quando Paul Polman era o CEO, ou seja, há muitos anos. Portanto, há diversos exemplos positivos acontecendo aqui e no mundo. Conhecer os riscos e suas interconexões possibilitam direcionar os esforços e acelerar ainda mais as mudanças.

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