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A mais recente pesquisa publicada pela GRI concluiu que a maioria das grandes empresas em todo o mundo publica informações sobre seus impactos ambientais, sociais e econômicos.
A sustentabilidade consolidou-se como um diferencial competitivo: empresas com práticas sólidas superam as demais, em virtude de uma melhor gestão de riscos, maior resiliência e crescimento atrelado à licença para operar.
Como reflexo disso, os dados reportados por essas organizações são cada vez mais exigidos e utilizados por investidores, reguladores e pela sociedade civil para embasar a alocação de capital, avaliar riscos e responsabilizar as empresas.
Essa pesquisa conduzida pela GRI – comparada com outras, como da KPMG e da IFAC, que todo ano analisam o uso das normas – utilizou uma amostra bastante significativa de respondentes, o que confirma as afirmações citadas neste artigo.
Qual é o estado dos relatórios de sustentabilidade hoje e onde a GRI se posiciona dentro dele?
As empresas que fazem referência à GRI representam 62% da capitalização de mercado global e 40% das maiores empresas listadas do mundo – uma posição inigualável por qualquer outra estrutura.
O documento The State of Sustainability Reporting: Global Trends in the GRI Standards 2025 (em tradução livre, O Estado dos Relatórios de Sustentabilidade: Tendências Globais nas Normas GRI 2025)baseia-se em relatórios publicados por quase 15.000 empresas listadas em 132 jurisdições – todas com receita acima de US$ 250 milhões –, configurando-se como o estudo mais extenso de seu tipo já realizado.
A GRI lidera todas as estruturas de relatórios de sustentabilidade, tanto pelo número de empresas quanto pela capitalização de mercado.
OTCFD é o que mais se aproxima em termos de porcentagem de empresas (34%), mas fica consideravelmente atrás da GRI em termos de capitalização de mercado. As estruturas mais recentes – Normas ISSB, ESRS e TNFD – são usadas por uma parcela muito menor de empresas globalmente.
O mito do declínio do uso da GRI: diferenças regionais, políticas e outras normas
O uso global da GRI permanece estável. Analisando amostras de empresas semelhantes, 42% usaram a GRI em 2024, comparado a 40% em 2025.
Isso mascara duas tendências distintas: um declínio na Europa (UE e não UE), América do Norte e Oceania; e, inversamente, um aumento na Ásia, África, Oriente Médio e América Latina.
A diminuição na Europa reflete as novas regulamentações na União Europeia que exigem que as empresas relatem usando os padrões ESRS. Vale pontuar que a norma europeia é, em grande parte, fundamentada em colaboração estreita com a GRI e a reflete em muitos aspectos. Nos Estados Unidos, um novo ciclo político e a incerteza regulatória em torno das regras de relatórios nos níveis federal e estadual reduziram o número de empresas que relatam com a GRI.
As reduções não se limitaram aos relatórios da GRI. Outros padrões e estruturas registraram declínios semelhantes de 2024 a 2025: SASB caiu 2%; CDP, 2%; e TCFD, 3% ano a ano. As referências aos ODS nos relatórios de sustentabilidade também diminuíram – em 4% – em toda a amostra.
O declínio foi de 2% entre os anos de 2024 e 2025, semelhantemente aos demais padrões.
Relatar não é um exercício de uma única estrutura. A maioria das grandes empresas usa mais de uma norma, combinando a GRI com outras estruturas.
É importante perguntar se a queda no uso das normas GRI é realmente uma queda nos relatórios de impacto. Com o tempo, a métrica mais importante pode ser o número de jurisdições em que o relato de impacto é uma prática padrão, seja por meio da adoção do mercado, regulamentação ou ambos.
A GRI continua sendo mais amplamente utilizada do que todas as outras normas e estruturas.
E ela é a mais utilizada em razão da amplitude de setores que o uso da GRI permite. Em setores como óleo e gás e eletrônicos, os relatórios GRI representam mais de 80% da capitalização de mercado, enquanto ficam abaixo de 30% em serviços de saúde ou restaurantes.
As Normas GRI são flexíveis, e as organizações podem usá-las da maneira que melhor atenda às suas necessidades. O uso de normas específicas depende de uma avaliação de materialidade para determinar os impactos mais significativos, sejam eles ambientais, sociais ou econômicos.
A mensagem final é clara: o mercado segue exigindo transparência, e as empresas devem usar – ou continuar utilizando – normas que respondam às suas áreas de impacto mais significativo.
Independentemente de novas regulamentações ou metodologias, as empresas continuam precisando de estruturas que traduzam sua realidade de forma autêntica. É nesse momento que a GRI se torna indispensável. Por sua flexibilidade e pela robustez de suas Normas Temáticas e Setoriais, ela oferece a base essencial para que as organizações gerenciem seus impactos e forneçam dados precisos aos stakeholders.
Portanto, continuar relatando com a GRI é seguir as exigências do mercado global, e integrá-la com outras normas é estratégia para o crescimento da empresa.
Ao longo dos anos atuando junto a diversos setores da economia, a Bridge3 Soluções e Educação tem confirmado o resultado desta pesquisa. E, com a introdução de normas e estruturas dedicadas à materialidade financeira, como TCFD, TNFD, CBPS 1 e 2, aliar a dupla materialidade oferece insumo ao conhecimento dos riscos e oportunidades mais significativos ao longo do tempo.
Fonte:https://www.globalreporting.org/media/3mohcsbc/gri-state-of-sustainability-reporting.pdf
-Equipe Bridge3